Uso excessivo ou inadequado de fones de ouvido pode causar danos irreversíveis à audição

Aparelhos-auditivos-uso-de-fones-e-perda-auditivaNo artigo anterior falamos sobre rádios online que tocam ritmos juvenis. No presente artigo, lembrando oportunamente que ontem, três de março (03/03), foi o dia internacional da saúde auditiva, falaremos de um acessório relacionado às funções acústicas dos dispositivos móveis, o qual sempre ou quase sempre constitui parte de tais dispositivos. Trata-se dos fones de ouvidos, os quais são frequentemente utilizados de forma excessiva ou inadequada e, juntamente com a falta de informação, podem levar as pessoas a terem problemas auditivos irreversíveis, especialmente os jovens, que são os principais usuários e devem constituir, no futuro, uma geração de pessoas precocemente surdas ou quase surdas, como veremos a seguir.

Certamente que ouvir música é uma atividade muito prazerosa para a grande maioria das pessoas, especialmente em certos momentos, como quando se faz uma caminhada, algumas horas de ginástica ou simplesmente quando se anda de transporte coletivo, pois ajuda a relaxar, esquecer o cansaço ou somente passar o tempo. Entretanto, é preciso estar atento, também, à saúde da audição, para que seus ouvidos não sejam submetidos a elevados níveis acústicos, que podem ser prejudiciais ao sentido auditivo.

Certas questões relacionadas à tecnologia são consideradas, muitas vezes, como mitos urbanos, como no caso de acidentes fatais com celulares e smartphones, cujos fatos passaram por este estágio de compreensão social, antes de terem reconhecida sua veracidade e serem noticiados em alguns veículos de comunicação, especialmente a internet. Mas, no caso de prejuízos à audição causados por uso excessivo ou inadequado de fones de ouvido, já se sabe, a priori, que a audição humana tem seus limites para suportar ruídos e sons, já muito bem definidos cientificamente.

De acordo com dados gerados no biênio 2012 a 2013 resultantes de estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 360 milhões de pessoas no mundo são portadoras de danos auditivos moderados a severos devido a várias causas; além de que 1,1 bilhão de pessoas na faixa etária de 12 a 35 anos, em países de renda média, corre o risco de sofrer algum tipo de perda auditiva devido, principalmente, ao uso inseguro de dispositivos digitais com recursos de áudio (de simples celulares a notebooks e PCs). No Brasil, cerca de 1,5 milhão de pessoas, cuja maioria é constituída por jovens, são portadoras de alguma deficiência auditiva, causada, principalmente, pelo uso excessivo ou inadequado de fones de ouvido.

laptop-tablet-smartphoneOs dispositivos digitais móveis (notebooks, MP3 players, celulares, smartphones, etc.) emitem sons com intensidade máxima de 90 a 120 decibéis (dB), amplitude mais que suficiente para causar danos à audição humana, cujo limite máximo que pode suportar é de 80 dB de ruídos e ou sons contínuos, sem acarretar nenhum tipo de problema para a audição humana, e que podem ser estendidos a 85 dB suportáveis por até oito horas contínuas.

A partir deste ponto em diante, o tempo limite de recepção de som por meio de fones de ouvido ou de exposição a uma fonte sonora qualquer cai pela metade para cada cinco decibéis acrescentados na intensidade sonora, trocando em miúdos, para 90 dB, o limite cai para quatro horas; para 95 dB, cai para duas horas; para 100 dB, o limite tomba para uma hora, e assim vai seguindo a caravana…

Se você continuar a verificar esta sequência, de acordo com a regra apresentada, verá que só poderá utilizar os recursos acústicos de um dispositivo móvel, em seu volume máximo (120 dB), somente durante 3 minutos e 25 centésimos de segundo!!! Nestas condições, só dá para ouvir apenas uma música por dia!!! Entretanto, para uma exposição segura a excessos de decibéis, utilize somente 25% de tais tempos limites, o que significa, portanto, terá que dividi-los por quatro.

Uma forma mais ou menos segura de usar recursos acústicos de dispositivos de áudio é utilizando apenas a metade de sua capacidade acústica, sendo que este procedimento é recomendável, principalmente, se você não souber o volume máximo de decibéis que ele pode lhe proporcionar, embora eventualmente esta informação você possa encontrar no manual do seu dispositivo.

Se você souber o limite acústico máximo de seu aparelho, pode proceder de outro modo: tome o limite suportável pela audição humana que conhecemos (80 dB) e divida pelo limite máximo de seu gadget, em decibéis, mas deixe a divisão em forma de fração irredutível, utilize esta fração para marcar o limite máximo que você poderá utilizar na faixa indicadora de intensidade acústica do seu dispositivo, para isso coloque o diel (marcador) da faixa de volume no exato ponto correspondente a esta fração.

Rádio celularExemplo: se o volume máximo de seu aparelho é 120 dB, tome 80 dB e divida por 120 dB, você terá a fração 80/120 que, na forma irredutível corresponde a 2/3, então divida, mentalmente, a faixa em três partes iguais e coloque o diel no ponto em que corresponde à segunda parte. Simples assim!!!

Também não se esqueça de verificar se este ponto que você determinou desta maneira lhe permite ouvir as pessoas que falam com você e, se necessário, faça o ajuste, para que você também possa interagir com as pessoas em seu redor, pois isso também é uma indicação que você não está exagerando em decibéis.

Procedendo desta maneira, você aproveitará melhor os recursos acústicos do seu dispositivo e preservará a saúde da sua audição. Assim você também preservará um dos sentidos mais importantes para sua interatividade social, que tanto você estima, e conservará seu relacionamento social com familiares, amigos e colegas em geral, evitando, desse modo, a sensação de solidão e isolamento que a surdez e a deficiência grave acarretam.

De modo geral, os danos que os sons e ruídos causam à audição, vão crescendo silenciosamente, sem que se perceba, até que surgem alguns sintomas que seu organismo lhe envia, avisando que as coisas não estão indo bem e, dentre esses sinais estão, por exemplo, o incômodo com sons altos e continuar incomodado mesmo após tê-los afastados, sensações de zumbidos constantes ou intermitentes, de apito ou tapamento do canal auditivo, crises de tontura e vertigem.

Também você pode compreender que algo está errado com sua audição pela própria mudança do seu comportamento fonoauditivo, de modo que passará a falar mais alto, já que terá dificuldades para escutar a própria voz; adquirirá o costume de pedir com frequência para as pessoas repetirem o que acabaram de dizer, usando, para isso, a expressão hã!!!, e também; passará a ter dificuldades de falar com pessoas em locais onde são produzidos diversos sons.

Caso você constate que apresenta alguns destes sintomas deve procurar um fonoaudiologista para fazer o exame de audiometria, que medirá sua atual capacidade auditiva e indicará, portanto, se há danos irreversíveis ou apenas temporários em suas células auditivas e, consequentemente, você será orientado sobre se há ou não necessidade de usar aparelho para compensar possíveis perdas auditivas.

Fone de ouvido conchaE em se tratando de fones de ouvidos, estudos indicam que ficar diariamente ouvindo música em elevados decibéis através de fones de ouvido durante uma hora e meia, pode causar danos à audição e isto é agravado pelo fato de que os fones de ouvido são colocados bem próximos da membrana auditiva, além de que, tais fones, não impedem a concorrência de outros sons adventícios do ambiente em seu redor, o que induz o usuário a elevar o nível de decibéis, aumentando, assim, o risco de adquirir deficiência auditiva.

Igualmente, evite ficar constante ou frequentemente em ambientes com excesso de sons ou ruídos acima do razoável para você, pois estudos também indicam que ficar exposto durante 30 minutos diariamente, em tais ambientes, pode causar danos irreversíveis a sua audição.

Com relação aos modelos de fones de ouvido, existem os intra-auriculares, que são os mais comuns e geralmente são os que, com frequência, acompanham os dispositivos acústicos pessoais, e os de formato de concha, sendo que, o último modelo é o mais recomendável para evitar a exposição direta do conduto auditivo a sons elevados, além de que triplicam a canalização do som para os ouvidos, reduzindo perdas para o ambiente e a concorrência com sons externos e, desse modo, colabora para que o usuário não aumente o volume de som em ambientes de concorrência sonora.

Os intra-auriculares, por sua vez, podem causar a contenção de cera, labirintite e outras possíveis doenças inflamatórias, além de lesionamento do canal auditivo. Entretanto, independente do modelo que você opte, o uso de fones de ouvido não deve ser constante ou frequente, nem deve ser utilizado por muito tempo.

O hábito de usar fones de ouvidos é muito comum entre jovens, já que são acessórios que acompanham os dispositivos móveis, portanto, é muito importante que você, que é jovem, tenha o conhecimento do risco que corre ao usar os fones de ouvido de modo excessivo ou inadequado, para que possa conscientizar-se da necessidade de mudança de hábito, do contrário, pode-se prever que esta atual geração de jovens constituirá, no futuro, uma sociedade de idosos surdos ou quase surdos, e especialistas de áreas médicas confirmam esta previsão.

Habito ouvir musica longo tempoHábitos inadequados incluem passar horas a fio com fones de ouvido em volume elevado de som, de forma frequente e constante, de modo a não dar tempo para que as células auditivas se recuperem; outro hábito errôneo no uso de fones de ouvidos é o revezamento dos ouvidos pelo uso de um só fone, porque isso não diminui, em nada, o efeito de perdas auditivas, já que pode causar deficiência auditiva unilateral.

Em relação à recuperação das células auditivas que passaram por estresse sonoro, para que sejam restauradas, é necessário certo tempo de afastamento de fontes sonoras, a magnitude desse período dependerá do tempo da exposição a ruídos excessivos e da frequência e intensidade acústica de tais ruídos, a que foram expostos os ouvidos; um tempo de exposição maior também requererá um tempo maior de afastamento de pressões sonoras, para total recuperação da audição.

A audibilidade se recupera gradualmente após ter sofrido pressão sonora, sendo parcialmente recuperável nas primeiras três horas após exposição, o restante pode levar até 16 horas para se concluir, dependendo da intensidade acústica; e as alterações causadas nas células auditivas podem ser reversíveis, de modo geral, até 80 a 85 dB. Se forem necessárias mais de 16 horas para a completa recuperação, as células auditivas podem não mais se recuperar, por outro lado, após ter-se recuperado a audição (limiar auditivo), não significa de que se esteja livre de células sensoriais lesionadas, as quais a audiometria infelizmente não detecta.

Portanto, recomenda-se, para estes jovens, que procurem um fonoaudiologista tão logo sintam os primeiros sintomas referidos acima. Também procure lembrar se já há algum caso de deficiência auditiva em sua família, o que significa que possivelmente você pode ser portador de genes que codificam proteínas que favorecem a perda auditiva, e isto é o que contribui para a variação de sensibilidade acústica de indivíduo para indivíduo, e assim, o que é aceitável para um indivíduo, não lhe causando incômodo algum, pode não sê-lo para outro, que pode sofrer danos auditivos com a mesma intensidade sonora.

Mudanca de habito 2Igualmente, lembre-se de que os danos causados à audição por excesso de decibéis são irreversíveis, de que uma vez perdida sua audição, não há remédio que a faça retornar. Mudanças simples de hábito, como reduzir o tempo despendido em atividades acústicas de elevados decibéis, fazer pausas enquanto escuta músicas através dos fones de ouvido, assim como evitar usar diariamente seu dispositivo pessoal para ouvir música, são atitudes que com certeza salvarão sua audição e garantirão que você se divirta por um tempo mais longevo.

E se você é ainda jovem e gosta de escutar música em elevados níveis acústicos enquanto anda de metrô ou outra forma de transporte coletivo, ou de ambientes dançantes e festivos, então eis alguns casos de intensidade sonora que lhe podem ser úteis saber: assistir shows de bandas de Rock ou participar de baladas, se você estiver à distância de 1 a 2 metros da caixa de som, estará exposto a cerca de 105 a 120 dB; buzinas de carro, 110 dB; boate noturna, 110 dB; metrô e motocicleta correndo, 90 dB e; decolagem de avião, 150 dB.

Adicionalmente, pode-se dizer que as empresas fabricantes de tais dispositivos têm procurado alertar o usuário, nos manuais de seus aparelhos, sobre os riscos do uso excessivo de fones de ouvido. Mas tudo indica que esta medida não é suficiente para conduzir usuários jovens a tomar consciência do risco, pois, na generalidade dos casos, poucas pessoas reservam algumas horas para uma leitura atenta e minuciosa do manual de seu aparelho, pois muitos são desestimulados pelas letras miúdas que o compõem e quiçá pelo seu diminuto tamanho, apesar de poderem ser encontrados na internet. São razões pessoais existentes na diversidade de perfis de consumidor que os fabricantes têm deixado escapar.

O ideal é que os aparelhos venham com uma indicação em decibéis, além de um alerta, como por meio de um sinal luminoso em vermelho, para indicar quando o aparelho atingiu o limite máximo de tempo de uso em determinada intensidade acústica, que ultrapasse o limite de segurança para a saúde auditiva, 80 dB.

Importcancia-da-pausaOutra possível solução que pode ser adotada pelos fabricantes de dispositivos digitais com recursos acústicos, é a utilização de um aplicativo, que poderia ser opcionalmente ativado pelo usuário, que teria como objetivo principal o de automaticamente desligar ou desativar suas funções acústicas, assim que atinja certo tempo de uso, em dado decibel, que esteja além do limite de segurança, para que o jovem usuário – às vezes muito jovem – possa dar uma pausa necessária para descansar sua audição, algo em cerca de 5 a 15 minutos para cada hora de uso é uma recomendação que já vem nos manuais de alguns fabricantes de gadgets, como Apple, LG e Motorola.

Entretanto, se você utilizar somente 80 dB pelo procedimento que apresentamos acima e usar fones de ouvido de formato de concha, então você estará aproveitando ao máximo os recursos acústicos de seu gadget sem correr o risco de adquirir alguma deficiência auditiva. Por outro lado, se você quiser extrapolar esse limite, e correr o risco de adquirir deficiência auditiva, então observe as informações e recomendações gerais deste artigo. Não fique com pressa de se tornar deficiente auditivo, pois perda auditiva ocorre naturalmente a partir dos 50 anos.

Resumo e síntese

Em resumo, pode-se dizer que os fones de ouvidos, se indevidamente utilizados por excesso ou inadequação, podem causar danos irreversíveis à audição humana, e o maior problema é que os danos vão crescendo progressivamente, sem que a pessoa exposta aos excessos acústicos se aperceba disso, até que surgem mudanças no comportamento fonoauditivo da pessoa, que constituem indicadores de que já deve procurar um fonoaudiologista para fazer o exame de audiometria.

Para os usuários de fones de ouvido, recomenda-se que não exceda o limite de 80 dB ou, se quiser exceder este limite, deve também controlar o tempo de exposição. Empresas fabricantes de dispositivos móveis podem contribuir para o controle de tempo de exposição do usuário através do desenvolvimento de aplicativos, para casos que excedam o limite de 80 dB.

Em suma, os fones de ouvidos são instrumentos muito úteis para se ouvir músicas sem incomodar outras pessoas. Entretanto, é necessário que sejam usados corretamente, de modo que se evitem danos à audição e, para isso, o modelo mais recomendável é o de formato de concha, porque os fones desse modelo aumentam em três vezes a recepção de som pelo usuário. Também é recomendável que o usuário verifique se no manual do seu aparelho há informações sobre a capacidade acústica de seu aparelho, em decibéis, e use-o conforme recomendações do manual e das contribuições e recomendações constantes neste artigo.

Fonte: Internet